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Vacina experimental contra mutação KRAS mostra potencial no combate ao câncer de pâncreas e colorretal

Uma vacina experimental desenvolvida para atacar mutações específicas do gene KRAS apresentou resultados promissores em pacientes com câncer de pâncreas e câncer colorretal. O estudo, publicado na revista científica Nature Medicine, traz dados finais da fase 1 do ensaio clínico AMPLIFY-201, que avaliou a eficácia e segurança da formulação ELI-002 2P. As mutações no KRAS, especialmente as variantes G12D e G12R, estão entre […]

Uma vacina experimental desenvolvida para atacar mutações específicas do gene KRAS apresentou resultados promissores em pacientes com câncer de pâncreas e câncer colorretal. O estudo, publicado na revista científica Nature Medicine, traz dados finais da fase 1 do ensaio clínico AMPLIFY-201, que avaliou a eficácia e segurança da formulação ELI-002 2P.

As mutações no KRAS, especialmente as variantes G12D e G12R, estão entre as mais comuns e agressivas em tumores sólidos: aparecem em cerca de 93% dos casos de adenocarcinoma ductal pancreático e em 50% dos casos de câncer colorretal. Essas alterações genéticas impulsionam o crescimento tumoral e dificultam o tratamento, tornando a prevenção da recidiva um desafio após cirurgia e terapias convencionais.

Como funciona a ELI-002 2P

A vacina combina fragmentos sintéticos dessas mutações a moléculas “anfifílicas”, capazes de direcionar o composto aos linfonodos — locais onde o sistema imunológico é ativado. Lá, os peptídeos mutantes de KRAS e um adjuvante especial (CpG-7909) estimulam a produção de células T CD4+ e CD8+, responsáveis por reconhecer e atacar células cancerígenas.

Essa tecnologia, chamada de vacina linfonodo-direcionada, aumenta a chance de gerar uma resposta imune mais robusta e duradoura, capaz de manter o organismo em alerta contra o retorno do tumor.

O estudo

Participaram do ensaio 25 pacientes — 20 com câncer de pâncreas e 5 com câncer colorretal — todos com doença residual mínima (MRD+) detectada por exames de sangue, mas sem sinais visíveis de tumor nas imagens. Eles receberam seis doses iniciais (“prime”) e quatro doses de reforço (“booster”) da vacina.

Com acompanhamento médio de 19,7 meses, 84% dos pacientes desenvolveram resposta imune contra mKRAS, sendo que 71% apresentaram ativação simultânea das células T CD4+ e CD8+. Entre aqueles com resposta mais intensa — aumento de pelo menos 9,17 vezes nos níveis de células T em relação ao início — a sobrevida livre de recaída não havia sido atingida no final do estudo. No grupo com resposta mais fraca, esse tempo foi de apenas três meses.

Resultados que chamam atenção

Além de induzir imunidade específica contra KRAS, a vacina provocou o chamado antigen spreading em 67% dos pacientes, fazendo com que o sistema imunológico passasse a reconhecer outros alvos tumorais não presentes na formulação. Isso amplia as possibilidades de defesa contra a doença.

No subgrupo de câncer de pâncreas, tradicionalmente resistente à imunoterapia, a mediana de sobrevida livre de recaída foi de 15,31 meses, contra os cerca de 5 a 6 meses observados historicamente nesse cenário.

A ELI-002 2P também apresentou bom perfil de segurança, com efeitos adversos leves a moderados e sem sinais de toxicidade grave.

O que vem pela frente

Apesar dos resultados encorajadores, os pesquisadores ressaltam que se trata de um estudo de fase 1, com número reduzido de participantes e sem grupo de controle. Um ensaio de fase 2 já está em andamento, agora com uma formulação expandida — a ELI-002 7P — que inclui sete variantes de KRAS/NRAS, aumentando o alcance potencial do tratamento.

A expectativa é que, se os dados se confirmarem, a vacina se torne uma nova arma na imunoterapia contra cânceres sólidos agressivos, oferecendo mais tempo e qualidade de vida a pacientes com alto risco de recidiva.

Fonte: https://saudeinevidencia.com.br

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